Criado em 01/2009, este blog é um guia objetivo para desmistificar a contabilidade, oferecendo teoria e soluções práticas para as dúvidas do dia a dia. São abordadas normas contábeis alinhadas com IFRS/CPC, tributos federais, legislação trabalhista e estudos de caso relevantes. O conteúdo é desenvolvido por um contador registrado no CRC e atuante desde 1995 e tem o objetivo de auxiliar profissionais e estudantes a alcançarem segurança e clareza nas práticas contábeis e fiscais do Brasil

23/08/2025

Parcela a deduzir do INSS na folha de pagamento: Entenda o cálculo disto

Nesta postagem você vai aprender de forma prática como a parcela a deduzir do INSS sobre a folha de pagamento é calculada porque ela não faz parte das tabelas oficiais.

Publicação original em 23/08/2025.


O que você encontrará neste guia:


1 Entenda a Mudança

Como a Reforma da Previdência impactou a retenção de INSS.

Antes da Reforma da Previdência (EC 103/2019), o cálculo do INSS sobre salários era mais simples, aplicando uma alíquota única em cada faixa de remuneração, ou seja, o método era direto: em Fevereiro/2020, por exemplo, as alíquotas eram de 8%, 9% e 11%.

A partir de março de 2020, o cálculo mudou. Agora, as alíquotas de 7,5%, 9%, 12% e 14% são aplicadas de forma progressiva e isso significa que o salário não é mais submetido a uma única alíquota, como era antes da Reforma. Assim, o desconto é calculado faixa a faixa.

Por exemplo, um salário que se enquadra na terceira faixa de contribuição não terá todo o seu valor submetido à alíquota de 12%. O cálculo do INSS incide sobre cada faixa do salário, somando as contribuições de todas elas até o valor total da remuneração.

No próximo tópico será mostrado como a “parcela a deduzir” simplifica esse cálculo, garantindo um resultado idêntico ao da apuração escalonada por faixas.


2 Aprenda na prática

Cálculos detalhados com base na tabela do INSS 2025.

Nesta seção, você vai aprender a calcular a retenção de INSS para todas as faixas salariais, usando a tabela do INSS de 2025 como base. O cálculo é demonstrado de duas formas: o método progressivo faixa a faixa e o método simplificado, que usa a "parcela a deduzir".

Tabela INSS 2025

De Até Alíquota Deduzir
0,001.518,007,50%0,00
1.518,012.793,889,00%22,77
2.793,894.190,8312,00%106,59
4.190,848.157,4114,00%190,40

Fonte: Portaria Interministerial MPS/MF 06/2025

Para agilizar o cálculo, montamos a tabela de retenção máxima por faixa, facilitando a visualização da diferença entre os tetos:

Teto atual – anterior Valor da faixa Alíquota Retenção máxima
1.518,00 – 0,001.518,007,50%113,85
2.793,88 – 1.518,001.275,889,00%114,83
4.190,83 – 2.793,881.396,9512,00%167,63
8.157,41 – 4.190,833.966,5814,00%555,32

I) Cálculo com salário de contribuição no valor de R$ 2.700,00

Cálculo escalonado Cálculo com redutor
Primeira faixa: 1.518 * 7,5% = 113,85
Segunda faixa: 1.182 * 9,0% = 106,38
Total: R$ 220,23
2.700 * 9% = 243
243 – 22,77 = 220,23

No raciocínio de cálculo escalonado, do lado esquerdo da tabela você pode perceber que para um salário de contribuição de R$ 2.700,00 primeiro calculamos a retenção sobre a primeira faixa (R$ 1.518,00 * 7,5% = 113,85). Em continuação, sobre o restante do valor (R$ 2.700,00 - R$ 1.518,00 = R$ 1.182,00) é aplicada a alíquota de 9% = 106,38. A soma totaliza R$ 220,23.

IMPORTANTE: Não confunda total de rendimentos com salário de contribuição. Nem todo provento faz parte da base de cálculo, como verbas indenizatórias e a cota do Salário-Família.

Na parte direita da tabela, o cálculo com redutor é direto: basta localizar a faixa, aplicar a alíquota e subtrair a parcela a deduzir: (R$ 2.700,00 * 9,0%) - 22,77 = 243 - 22,77 = 220,23.

A parcela a deduzir de 22,77 surge da diferença entre as alíquotas (9% - 7,5% = 1,5%) aplicada sobre o teto da faixa anterior: R$ 1.518,00 * 0,015 = 22,77.

II) Cálculo com salário de contribuição no valor de R$ 4.000,00

Cálculo escalonado Cálculo com redutor
1ª faixa: 113,85
2ª faixa: 114,83
3ª faixa: (4.000 - 2.793,88) * 12% = 144,73
Total: R$ 373,41
4.000 * 12% = 480,00
480 – 106,59 = 373,41

Para comprovar como o valor de 106,59 é formado: Diferença de alíquota da 3ª para a 2ª faixa (12% - 9% = 3%). Aplicamos sobre o teto da 2ª faixa (2.793,88 * 3% = 83,82). Somamos com a parcela anterior: 83,82 + 22,77 = 106,59.

III) Cálculo com salário de contribuição no valor de R$ 7.000,00

Cálculo escalonado Cálculo com redutor
1ª faixa: 113,85 / 2ª: 114,83 / 3ª: 167,63
4ª faixa: (7.000 - 4.190,83) * 14% = 393,28
Total: R$ 789,59
7.000 * 14% = 980
980 – 190,40 = 789,60

Para a parcela de 190,40: Diferença da 4ª para a 3ª faixa (14% - 12% = 2%). Aplicamos sobre o teto da 3ª (4.190,83 * 2% = 83,82). Somamos às anteriores: 83,82 + 106,59 = 190,41 (arredondado para 190,40 pela tabela oficial).

IV) Cálculo com salário acima do teto (R$ 9.500,00)

Quando o salário ultrapassa o teto (R$ 8.157,41 em 2025), o cálculo torna-se fixo:

(8.157,41 x 14%) - 190,40 = R$ 951,64

Faixa Valor Tributável Retenção
1ª Faixa (até 1.518,00)1.518,00113,85
2ª Faixa (até 2.793,88)1.275,88114,83
3ª Faixa (até 4.190,83)1.396,95167,63
4ª Faixa (até teto)3.966,58555,32
MÁXIMO DE RETENÇÃO951,63

3 Conclusão

Resumo e pontos de atenção

Neste guia, demonstramos a distribuição do salário de contribuição por faixa, o cálculo da parcela a deduzir e o tratamento nos salários que ultrapassarem o teto de contribuição.

Com os softwares e sistemas eletrônicos de hoje, nem sempre será preciso fazer o cálculo manual, no entanto, se o profissional não entender a lógica por trás desses cálculos, qualquer valor apresentado pelo sistema pode ser visto como correto, mesmo que haja falhas.

Por isso, dominar esses cálculos é fundamental. Ter esse conhecimento permite que você revise valores, identifique falhas operacionais e, quando necessário, realize o cálculo manualmente com total segurança. Este guia é uma ferramenta para garantir que suas tarefas sejam realizadas com confiança e livres de equívocos.

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